Biolifting regenerativo: o que é e como funciona o rejuvenescimento sem cortes

Você olha no espelho e percebe que, afinal, o creme já não dá conta. As rugas ficaram mais fundas e a pele perdeu o viço. Ainda assim, a cirurgia com cortes não combina com você, e o biolifting regenerativo começou a aparecer nas suas buscas.

Afinal, a técnica ganhou atenção justamente no espaço entre o cosmético e o bisturi. A seguir, você entende o que ela faz, para quem serve e o que esperar da recuperação.

O biolifting regenerativo é um método de rejuvenescimento facial que aplica agentes químicos em camadas controladas da pele. Assim, provoca uma renovação profunda do tecido, sem incisões. Além disso, o efeito de firmeza surge da própria regeneração da pele, e não de tração mecânica, como no lifting cirúrgico.

O que é o biolifting regenerativo?

O biolifting regenerativo é um método criado pelo médico José Kacowicz, que o descreve como uma “cirurgia química sem cortes” [1]. Em vez de reposicionar a pele com bisturi, o procedimento remove de forma controlada as camadas mais danificadas.

Dessa forma, o organismo reconstrói o tecido a partir das estruturas mais profundas.

De acordo com o criador do método, o efeito lifting nasce de uma retração orientada da própria pele [1]. Ou seja, o tecido envelhecido dá lugar a uma pele nova, com textura, firmeza e cor mais uniformes.

A técnica pertence à família dos peelings químicos profundos, um grupo de procedimentos que a dermatologia estuda há mais de um século [2]. Por isso, a segurança e os resultados da técnica se apoiam principalmente nessa literatura.

Como a técnica age na pele?

A lógica é a mesma de todo peeling químico, porém em maior profundidade. Primeiramente, o agente químico provoca uma lesão controlada. Em seguida, a pele responde com um processo de reparo que produz colágeno novo [3].

Uma revisão publicada no Giornale Italiano di Dermatologia divide os peelings em três níveis [3]:

ProfundidadeAté onde ageIndicações principais
SuperficialEpiderme até a derme papilarAcne ativa, manchas, melasma
MédioDerme papilar até a reticular superiorManchas solares, cicatrizes superficiais
ProfundoDerme reticular médiaFotoenvelhecimento, rugas e cicatrizes profundas

O biolifting regenerativo, por sua vez, atua no nível mais profundo. Em consequência, a inflamação controlada ativa os fibroblastos, que produzem novas fibras de colágeno e reorganizam a derme [3]. Enquanto isso, a superfície da pele se refaz a partir dos anexos, como folículos e glândulas.

Dermatologista examinando a pele da paciente com lupa antes do biolifting regenerativo

Para quem o biolifting é indicado?

O criador pensou o método para quem tem sinais de envelhecimento que tratamentos mais leves já não alcançam. As indicações descritas pelo criador incluem [1]:

  • envelhecimento avançado da pele;
  • rugas profundas, principalmente ao redor da boca e dos olhos;
  • elastose solar, isto é, aquela pele amarelada e espessa pelo sol acumulado;
  • alterações de textura, assim como poros dilatados;
  • cicatrizes de acne;
  • alguns casos de melasma, com avaliação cuidadosa.

Essas indicações, aliás, coincidem com as da literatura sobre peelings profundos. De acordo com uma revisão publicada no Journal of the American Academy of Dermatology, esses peelings suavizam rugas e dão firmeza à pele com resultados mais sutis que as fórmulas antigas [2].

Quando o biolifting não é indicado?

A resposta honesta é que um procedimento dessa profundidade não serve para todo mundo. A avaliação médica exclui, por exemplo:

  • gestantes e lactantes;
  • pessoas com doença cardíaca, renal ou hepática descompensada;
  • quem usou isotretinoína oral nos últimos meses;
  • pele com infecção ativa, como herpes labial em crise;
  • histórico de cicatrização ruim, sobretudo queloides.

Peles mais escuras pedem atenção redobrada, já que o risco de manchas após o procedimento aumenta nesses fototipos. Mesmo assim, estudos com fototipos IV e V mostram bons resultados com técnica adequada e cuidado no pós [4].

Biolifting é o mesmo que peeling de fenol?

Não. O biolifting regenerativo realizado na CBV não usa fenol. A dúvida é comum porque os dois pertencem ao grupo dos peelings profundos, mas a fórmula é outra.

Essa diferença pesa, sobretudo, na segurança. De fato, o principal risco do peeling de fenol é o efeito sobre o coração: um estudo com 181 pacientes registrou arritmia transitória em 6,6% dos casos durante peelings profundos de rosto inteiro [7].

Por esse motivo, a literatura vem buscando fórmulas profundas sem fenol, como as combinações com ácido tricloroacético [8].

Além disso, no Brasil o fenol tem regras próprias. Em 2024, a Anvisa restringiu produtos à base de fenol para uso estético [5].

Em seguida, em maio de 2026, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução 2.458, que autoriza o uso médico da substância com exigências rígidas de estrutura e monitoramento [6].

Mesmo sem fenol, um peeling dessa profundidade pede ambiente médico preparado, avaliação prévia e acompanhamento próximo na recuperação.

Como é a recuperação do biolifting regenerativo?

Em geral, o ciclo de recuperação dura cerca de 15 dias, segundo o criador do método [1]. Durante esse período, a pele passa por etapas sucessivas de regeneração, remodelação e retração.

De modo geral, a evolução segue esta ordem:

  1. Primeiros dias: a pele fica inchada, avermelhada e sensível. Geralmente, o rosto fica coberto por uma crosta ou máscara protetora.
  2. Primeira semana: a camada antiga se desprende aos poucos, e a pele nova começa a aparecer.
  3. Segunda semana: a pele nova já cobre o rosto, ainda rosada e sensível ao sol.
  4. Meses seguintes: o colágeno continua se reorganizando. Assim, a firmeza e a textura melhoram de forma progressiva.

Ainda assim, a vermelhidão residual pode durar semanas. Logo, o protetor solar diário e a fotoproteção rigorosa fazem parte do tratamento, e não são um detalhe.

Biolifting regenerativo ou lifting cirúrgico?

Embora os nomes pareçam próximos, são procedimentos com objetivos diferentes. Por um lado, o lifting cirúrgico reposiciona músculos e tecidos que desceram com a idade. Já o biolifting regenerativo trata a qualidade da pele: rugas, textura, manchas e flacidez cutânea.

Quem tem muita flacidez profunda, com queda de bochechas e papada, geralmente se beneficia mais da cirurgia. Por outro lado, quem tem a estrutura preservada e a pele muito danificada pelo sol pode ter no biolifting uma alternativa.

Além disso, em alguns casos as duas abordagens se complementam.

Se você está comparando opções, vale conhecer também o laser de CO₂ UltraPulse Alpha, outra forma de renovação profunda da pele, e os bioestimuladores de colágeno, indicados para flacidez mais leve.

Como a CBV conduz o biolifting regenerativo

Na CBV Clínica, o biolifting começa por uma consulta de avaliação com o dermatologista. Nela, o médico analisa, principalmente, o grau de envelhecimento, o fototipo e o histórico de saúde, além de pedir os exames necessários.

Depois, a equipe explica cada etapa da recuperação e combina o acompanhamento nas semanas seguintes. Afinal, o cuidado no pós é tão importante quanto o procedimento em si.

Perguntas frequentes sobre biolifting regenerativo

O biolifting regenerativo dói?

O médico aplica anestesia antes do procedimento, e o tipo depende da área tratada. Depois, nos primeiros dias, a sensação mais comum é de ardor e repuxamento, controlados com medicação prescrita.

Quanto tempo dura o resultado do biolifting?

O colágeno novo dura bastante, mas a pele continua envelhecendo. Por isso, a fotoproteção diária e a rotina de cuidados prolongam o efeito do tratamento.

Quantas sessões são necessárias?

Por ser um procedimento profundo, geralmente acontece em sessão única. Por isso, a necessidade de complementos, como laser ou bioestimuladores, aparece na avaliação.

Posso tomar sol depois do biolifting?

Não nos primeiros meses, sobretudo no horário de sol forte. A pele nova fica muito sensível e, portanto, mais sujeita a manchas. Protetor solar, chapéu e horários sem sol forte fazem parte da recuperação.

Biolifting regenerativo serve para homens?

Sim. Afinal, a indicação depende do tipo de pele e dos sinais de envelhecimento, e não do sexo.

Converse com a Dermatologia da CBV

O biolifting regenerativo pede avaliação cuidadosa, já que a profundidade do tratamento exige critério na indicação.

No Núcleo de Dermatologia da CBV Clínica, os dermatologistas analisam a pele, o fototipo e o histórico de saúde para indicar se o biolifting faz sentido para você ou se outra abordagem atende melhor o seu caso.

Para agendar sua consulta, entre em contato conosco via WhatsApp.

Referências

  1. Biolifting Regenerativo propõe rejuvenescimento sem cortes, Terra, 2026, declarações de José Kacowicz, criador do método; o método ainda não tem estudos próprios publicados em revista científica.
  2. Wambier CG, Lee KC, Soon SL, et al., Advanced chemical peels: Phenol-croton oil peel, J Am Acad Dermatol, 2019;81(2):327-336. PubMed
  3. Conforti C, Zalaudek I, Vezzoni R, et al., Chemical peeling for acne and melasma: current knowledge and innovations, G Ital Dermatol Venereol, 2020;155(3):280-285. PubMed
  4. Yoon ES, Ahn DS, Report of phenol peel for Asians, Plast Reconstr Surg, 1999;103(1):207-214. PubMed
  5. Anvisa prorroga proibição sobre uso de produtos à base de fenol, Agência Brasil, set, 2024. Link
  6. CFM aprova resolução com regras rigorosas para o uso médico do fenol (Resolução CFM 2.458/2026), CREMERJ, mai, 2026. Link
  7. Landau M, Cardiac complications in deep chemical peels, Dermatol Surg, 2007;33(2):190-193. PubMed
  8. Lima APCB, Aguilar TRG, Marrafão RJ, Maurício Júnior N, Técnica de peeling de ácido tricloracético com óleo de cróton: avanços na retração cutânea e rejuvenescimento facial, AOS, 2025;6(1):25-36. Link

Sobre o
Autor

Dr. Bruno

Vargas

Referência nacional

em Dermatologia

CRM-MG 38959 / RQE 32477

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