O fator emocional e o melasma

Pesquisadores que estudaram a fundo para conhecer o melasma ainda lutam contra as dificuldades ligadas a fatores emocionais e psicológicos que essa condição na pele pode causar. Pacientes reclamam que apenas quem sofre de melasma consegue entender o impacto que a doença causa no bem-estar.

Especialmente para quem vive em um país tropical como o Brasil, o primeiro impacto é significativo: “Todos que sofrem de melasma têm que redobrar a atenção ao se expor ao sol, que tem efeitos agravantes nas manchas”, pondera Bruno Vargas, dermatologista. Ele acrescenta que luzes artificiais também afetam o problema, mas em menor proporção. “O fato é que, quem tem melasma deve evitar tomar sol quase que totalmente, o que incomoda quando você viaja com a família para a praia, por exemplo”, ressalta.

“Algumas pessoas, ao invés de se proteger com filtro solar, bonés e outros, acabam se isolando para não se expor ao sol e piorar a situação”, conta Vargas. Há quem deixe de fazer exercícios durante o dia, ou mesmo se recuse a fazer longas viagens de carro antes do pôr do sol por medo das radiações solares.

Há ainda uma série de implicações sociais. Segundo uma publicação no Journal of Dermatological Treatment, pesquisadores identificaram que pacientes com melasma sentiam emoções negativas sobre a própria condição, mas não as compartilhavam com ninguém, sofrendo calados. Alguns responderam que se sentiam embaraçados e até desfigurados. Outros afirmaram que, durante um diálogo, sentiam os olhos do interlocutor focados nas manchas.

Houve ainda quem confessasse evitar pessoas e situações em que a pele poderia ficar exposta. Por fim, quase 100% dos entrevistados alegou que a vida seria melhor sem o melasma.

Referência: Pawaskar, M., Parikh, P., Markowski, T., McMichael, A., Feldman , S., Balkrishnan R. (2007). Melasma and its impact on health-related quality of life in Hispanic women. Journal of Dermatological Treatment. 2007;18(1):5-9.

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