Você pesquisou sobre rejuvenescimento com a própria gordura e encontrou dois nomes parecidos: microfat e nanofat. Afinal, são a mesma coisa? Um substitui o outro?
A resposta curta é que, embora pareçam iguais, eles fazem trabalhos diferentes. A seguir, você entende o que cada técnica faz, como é o procedimento e por que muitas vezes elas aparecem juntas.
Microfat e nanofat são técnicas que usam gordura do próprio corpo para tratar o rosto. Enquanto o microfat devolve volume e sustentação em áreas que afundaram, o nanofat passa por um processamento que o transforma em um líquido fino, usado para melhorar a qualidade da pele.
O que é microfat e nanofat?
As duas técnicas começam do mesmo jeito: o médico retira uma pequena quantidade de gordura, geralmente do abdômen ou das coxas. Portanto, a diferença está no que acontece com essa gordura depois.
No microfat, primeiramente, a gordura mantém pequenos fragmentos inteiros. Por isso, ela ainda consegue ocupar espaço e repor volume, como nas têmporas, nas maçãs do rosto ou no sulco das olheiras.
No nanofat, por outro lado, a gordura passa por emulsificação e filtragem até virar um líquido. De acordo com o cirurgião belga Patrick Tonnard, que descreveu a técnica, nesse processo as células de gordura não sobrevivem [1]. Em contrapartida, o nanofat preserva células regenerativas da chamada fração vascular estromal [1].
Por que usar a própria gordura no rosto?
A gordura não serve só para preencher. Na verdade, ela é um dos tecidos do corpo mais ricos em células com potencial regenerativo, que liberam fatores de crescimento na região tratada.
Além disso, como o material vem do próprio paciente, não existe risco de alergia ao produto. Por isso, o enxerto de gordura no rosto ganhou espaço tanto na cirurgia plástica quanto na dermatologia.
Uma revisão de 2024, assinada inclusive pelo próprio Tonnard, descreve a gordura do paciente como segura, abundante e totalmente compatível com o corpo [3]. Segundo os autores, ela é o preenchedor preferido para corrigir a perda de volume do rosto.
Ainda de acordo com a revisão, o nanofat melhora a textura e a pigmentação da pele [3].
Microfat e nanofat ou ácido hialurônico?
A dúvida é frequente, porque os dois caminhos repõem volume. Contudo, eles funcionam de formas diferentes:
| Microfat e nanofat | Ácido hialurônico | |
|---|---|---|
| Origem | Gordura do próprio paciente | Produto industrializado |
| Procedimento | Pequena lipoaspiração antes da aplicação | Aplicação direta, em consultório |
| Recuperação | Uma a duas semanas de inchaço | Geralmente, poucos dias |
| Efeito na pele | Nanofat melhora textura e viço | Versões fluidas hidratam a pele |
Ou seja, o ácido hialurônico é mais simples de aplicar e ajustar. Por outro lado, a gordura oferece um tecido vivo, que se integra ao rosto.
Qual a diferença na prática?
A tabela resume o papel de cada uma:
| Microfat | Nanofat | |
|---|---|---|
| Aspecto | Gordura em pequenos fragmentos | Líquido fino, emulsificado |
| Função principal | Repor volume e sustentação | Melhorar textura, viço e rugas finas |
| Onde costuma entrar | Têmporas, maçãs, sulcos, contorno | Olheiras, pálpebras, pescoço, colo, cicatrizes |
| Como o médico aplica | Com cânula fina | Com agulha muito fina ou microagulhamento |
Em outras palavras, o microfat trabalha a estrutura, enquanto o nanofat trabalha a pele. Além disso, uma revisão sobre as duas técnicas descreve exatamente essa divisão de papéis [2].
Quando o microfat é indicado?
O microfat faz sentido, sobretudo, quando o rosto perdeu volume. Isso acontece com a idade, mas também depois de um emagrecimento importante. Assim, ele ajuda em:
- têmporas e bochechas mais fundas;
- olheira com aspecto de sulco, principalmente na parte interna;
- perda de contorno no rosto;
- pequenas assimetrias, assim como marcas de perda de peso.
Quando o nanofat é indicado?
Já o nanofat entra quando o problema é, principalmente, a qualidade da pele. No estudo de Tonnard, os médicos aplicaram a técnica em 67 casos de rugas finas, cicatrizes e olheiras escuras [1]. De modo geral, ele ajuda em:
- pele fina e sem viço;
- rugas finas ao redor dos olhos e da boca;
- olheiras com pele escurecida, assim como pálpebras finas;
- cicatrizes e áreas com textura irregular.

Como é feito o procedimento de microfat e nanofat?
O procedimento acontece em etapas, geralmente no mesmo dia:
- Avaliação e marcação: o médico analisa o rosto, define as áreas e desenha na pele onde cada técnica vai entrar.
- Coleta: com anestesia local, ele retira a gordura por uma cânula fina, em uma pequena lipoaspiração.
- Preparo: em seguida, a equipe lava e filtra a gordura. Uma parte fica em fragmentos (microfat) e outra passa por emulsificação (nanofat).
- Aplicação: por fim, o médico injeta o microfat nas áreas de volume e o nanofat nas áreas de pele.
Dessa forma, o paciente sai no mesmo dia, sem internação. Em alguns casos, o médico pode associar sedação leve, conforme a extensão do tratamento.
Por que microfat e nanofat costumam aparecer juntos?
Porque o envelhecimento acontece nas duas frentes ao mesmo tempo. O rosto perde volume por baixo e, além disso, a pele perde qualidade por cima.
Por isso, muitos protocolos associam as duas. Na CBV, essa combinação faz parte do Nanocell e do Lumina 360, que podem incluir também o laser de CO₂ quando há indicação.
Como é a recuperação do microfat e do nanofat?
Em geral, a recuperação costuma ser tranquila. Geralmente, há inchaço e alguns roxos no rosto e na área de onde a gordura saiu, que melhoram ao longo de uma a duas semanas.
Nesse período, algumas orientações ajudam:
- dormir com a cabeça mais elevada nos primeiros dias;
- evitar sol direto e exercícios intensos, conforme a liberação médica;
- não massagear as áreas tratadas, a menos que o médico oriente;
- usar a cinta ou o curativo na área doadora, quando indicado.
Quanto tempo dura o resultado?
O resultado aparece de forma gradual. Enquanto o volume do microfat se acomoda nas primeiras semanas, a melhora da pele com o nanofat continua ao longo dos meses seguintes.
Contudo, nem toda a gordura enxertada sobrevive. O corpo reabsorve uma parte nos primeiros meses, e essa proporção varia de pessoa para pessoa. Por isso, alguns casos pedem uma segunda sessão de ajuste.
Por outro lado, a gordura que se integra ao rosto tende a permanecer, acompanhando o envelhecimento natural.
Quem não deve fazer?
Assim como qualquer procedimento, existem situações em que o médico adia ou contraindica o tratamento. Por exemplo:
- gestação e amamentação;
- infecção ativa na pele do rosto ou na área de coleta;
- doenças descompensadas, como diabetes sem controle;
- distúrbios de coagulação ou uso de medicações que aumentam sangramento, sem ajuste prévio.
Da mesma forma, quem está em fase de perda de peso intensa geralmente se beneficia de esperar o peso estabilizar.
Perguntas frequentes sobre microfat e nanofat
A gordura do próprio corpo dá alergia?
Não, porque o material vem do próprio paciente. Por isso, o risco de rejeição cai muito.
Quem é magro pode fazer?
Na maioria dos casos, sim. Uma vez que a quantidade necessária é pequena, até pessoas magras costumam ter gordura suficiente em alguma área.
O resultado é natural?
Sim, esse é justamente um dos motivos da procura. Afinal, o tecido usado é do próprio corpo e respeita a anatomia do rosto.
Microfat e nanofat substituem o preenchimento com ácido hialurônico?
Não necessariamente. São opções diferentes e, portanto, a escolha depende da avaliação. Por vezes, inclusive, os tratamentos se complementam.
Precisa de mais de uma sessão?
Às vezes, sim. Como o corpo reabsorve parte da gordura, o médico pode programar um retoque depois de alguns meses.
Se quiser se aprofundar, leia também nanofat: o que é e como a gordura pode ajudar a regenerar a pele.
Converse com a Dermatologia da CBV
Cada rosto perde volume e qualidade de pele de um jeito, por isso o plano começa por uma avaliação cuidadosa. No Núcleo de Dermatologia da CBV Clínica, os dermatologistas analisam a estrutura do rosto, a pele e o seu histórico antes de indicar microfat, nanofat ou outra combinação.
Para agendar sua consulta, entre em contato conosco via WhatsApp.
Referências
- Tonnard P, Verpaele A, Peeters G, et al., Nanofat grafting: basic research and clinical applications, Plast Reconstr Surg, 2013;132(4):1017-1026. PubMed
- Rihani J, Microfat and Nanofat: When and Where These Treatments Work, Facial Plast Surg Clin North Am, 2019;27(3):321-330. PubMed
- Strong AL, et al., Technical Precision with Autologous Fat Grafting for Facial Rejuvenation: A Review of the Evolving Science, Plast Reconstr Surg, 2024. PubMed
