Complicações: preenchimento com ácido hialurônico

O lábio que continuou inchado depois de uma semana. Um nódulo que apareceu meses depois do procedimento. Uma mancha arroxeada logo após a aplicação que deixou a dúvida: é apenas um roxo ou uma das complicações do preenchimento com ácido hialurônico?

Por isso, a seguir você vai entender quais são as principais complicações do preenchimento com ácido hialurônico, como identificá-las e quais recursos podem fazer parte do tratamento.

Complicações no preenchimento com ácido hialurônico: o que pode acontecer?

As complicações do preenchimento com ácido hialurônico vão de reações leves e passageiras, como inchaço e roxos, a situações raras que exigem avaliação rápida, como a oclusão vascular. A maioria dos procedimentos evolui bem, mas reconhecer o que foge do esperado ajuda a buscar atendimento no momento certo.

Nem toda reação depois de um preenchimento representa uma complicação. Como o procedimento envolve a passagem de agulha ou cânula pelos tecidos, algumas alterações podem aparecer nos primeiros dias, como:

  • inchaço, principalmente nos lábios;
  • pequenos hematomas nos pontos de aplicação;
  • sensibilidade ao toque;
  • pequenas assimetrias ou irregularidades enquanto o edema ainda está presente.

Nos lábios, por exemplo, o inchaço costuma ficar mais evidente nas primeiras 24 a 48 horas e diminuir gradualmente nos dias seguintes. Além disso, a intensidade e a duração variam de acordo com o paciente, a região, o produto e a técnica utilizada.

Já dor intensa, alterações progressivas na cor da pele, feridas ou sintomas visuais fogem da evolução esperada e precisam de avaliação médica.

Sinais de alerta: quando procurar ajuda no mesmo dia

Por outro lado, alguns sinais fogem da evolução habitual e precisam de avaliação rápida, entre eles:

  • dor intensa ou progressiva, principalmente quando parece desproporcional ao procedimento;
  • pele muito pálida ou com mudança de coloração arroxeada em padrão irregular;
  • surgimento de bolhas, feridas ou crostas;
  • qualquer alteração na visão, como visão embaçada, perda visual ou dor ocular.

Afinal, esses sintomas podem indicar comprometimento da circulação e exigem atenção. Alterações visuais após preenchimentos são raras, mas constituem uma emergência e precisam de avaliação imediata.

Oclusão vascular: o que é?

De modo geral, a oclusão vascular acontece quando o preenchimento compromete a passagem do sangue por um vaso. Em geral, isso ocorre pela entrada inadvertida do produto em uma artéria e, em alguns casos, por compressão externa do vaso.

Consequentemente, quando o fluxo sanguíneo diminui, a pele pode apresentar dor, palidez e alteração de cor. Assim, sem tratamento adequado, o tecido pode sofrer lesões. Em situações muito raras, o produto pode atingir vasos ligados à circulação ocular e provocar alterações na visão.

Por isso, a segurança do preenchimento depende de diferentes fatores: conhecimento da anatomia facial, escolha adequada do produto e da técnica e preparo para reconhecer rapidamente uma intercorrência.

Complicações do preenchimento com ácido hialurônico que aparecem meses depois

Além disso, nem toda complicação surge no dia da aplicação. Algumas aparecem depois de semanas, meses ou até anos:

  • Nódulos: podem ser acúmulo de produto, que costuma ser firme e não doer, ou reação inflamatória, com vermelhidão e sensibilidade.
  • Granulomas: reação do organismo ao material, mais associada a produtos que ficam muito tempo no corpo.
  • Biofilme: bactérias que se organizam sobre o produto e mantêm uma inflamação difícil de tratar só com antibiótico.
  • Migração: o produto se desloca da área em que foi aplicado.
  • Efeito Tyndall: coloração azulada quando o ácido hialurônico fica superficial demais, mais comum na região das olheiras.

Preenchimento deu errado: o que pode ser feito?

Nesse caso, a conduta depende do produto utilizado, da região tratada e do tipo de alteração encontrada.

Uma das vantagens do ácido hialurônico é a possibilidade de utilizar a hialuronidase quando há indicação para dissolver o material. Dessa forma, a enzima pode ajudar em situações como excesso de produto, determinadas irregularidades, efeito Tyndall e alguns tipos de nódulos não inflamatórios.

Isso não significa, porém, que todo nódulo ou inflamação deva receber hialuronidase imediatamente. Nas reações tardias, por exemplo, primeiro é importante diferenciar alterações inflamatórias, infecciosas e não inflamatórias, já que cada uma exige uma abordagem diferente.

Já bioestimuladores, como ácido poli-L-lático e hidroxiapatita de cálcio, não se dissolvem com hialuronidase. Portanto, nesses casos, a conduta depende do diagnóstico e pode envolver outras estratégias e acompanhamento médico.

E o PMMA?

Por outro lado, o PMMA é um material permanente e não responde à hialuronidase.

Desde junho de 2026, o Conselho Federal de Medicina proíbe seu uso por médicos como substância de preenchimento no Brasil. A resolução mantém uma exceção específica para o tratamento de lipodistrofia em pessoas vivendo com HIV/aids, dentro do SUS e conforme os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

O papel do ultrassom nas complicações no preenchimento com ácido hialurônico

Quando existe dúvida sobre o que está abaixo da pele, o ultrassom dermatológico pode complementar a avaliação.

Assim, a imagem ajuda a localizar o produto, identificar a camada em que ele se encontra e avaliar alterações associadas. Também pode ser especialmente útil quando o paciente realizou preenchimentos há muitos anos ou não sabe exatamente qual material recebeu.

Na CBV Clínica, contamos com esse recurso quando necessário para compreender melhor a intercorrência e orientar a conduta.

Hialuronidase guiada por ultrassom

Em situações selecionadas, o ultrassom também pode ajudar a direcionar a aplicação da hialuronidase para a área em que o ácido hialurônico está localizado.

Essa possibilidade é útil principalmente quando o objetivo é tratar um depósito específico de produto ou quando a anatomia da região exige maior precisão. A literatura descreve o ultrassom como uma ferramenta capaz de auxiliar tanto na identificação do preenchimento quanto em intervenções guiadas.

Como reduzir o risco de complicações no preenchimento com ácido hialurônico

Nenhum procedimento injetável é totalmente isento de risco. Ainda assim, alguns cuidados aumentam a segurança:

  • realizar o procedimento com profissional habilitado e com conhecimento da anatomia da região;
  • utilizar produtos regularizados pela Anvisa;
  • informar todos os medicamentos em uso e condições de saúde relevantes;
  • contar sobre preenchimentos ou outros procedimentos já realizados naquela região;
  • saber qual produto será aplicado;
  • manter a identificação do produto e do lote;
  • seguir as orientações antes e depois do procedimento.

Além disso, o profissional precisa reconhecer rapidamente os sinais de uma possível intercorrência e ter recursos para conduzir a situação ou encaminhar o paciente quando necessário.

Como avaliamos complicações do preenchimento com ácido hialurônico na CBV

Na CBV Clínica, a avaliação começa pela história do procedimento e pelo exame da região. Em seguida, entender qual produto foi utilizado, onde ele foi aplicado, há quanto tempo e como os sintomas evoluíram ajuda a direcionar a investigação.

Quando necessário, utilizamos o ultrassom dermatológico disponível na própria clínica para localizar o material e entender melhor o que está acontecendo antes de definir a conduta.

Nos casos envolvendo ácido hialurônico, a hialuronidase pode fazer parte do tratamento quando houver indicação. Em situações selecionadas, o ultrassom também pode auxiliar na localização do produto durante o procedimento.

Além disso, avaliamos pacientes que realizaram preenchimentos em outros locais e perceberam alguma alteração posteriormente.

Perguntas frequentes

Inchaço depois do preenchimento é normal?

Sim. Inchaço, pequenos roxos e sensibilidade costumam aparecer nos primeiros dias, principalmente nos lábios, e melhoram de forma gradual. Por outro lado, dor intensa, mudança na cor da pele ou alteração na visão fogem do esperado e pedem avaliação no mesmo dia.

O ácido hialurônico pode ser dissolvido?

Pode. A hialuronidase é uma enzima que dissolve o ácido hialurônico e ajuda em casos como excesso de produto, irregularidades e efeito Tyndall. No entanto, ela não age sobre bioestimuladores nem sobre o PMMA.

Um nódulo pode aparecer meses depois do preenchimento?

Pode. Nódulos, granulomas e inflamações ligadas a biofilme podem surgir semanas, meses ou até anos depois da aplicação. Nesses casos, o ultrassom dermatológico ajuda a localizar o produto e a definir o tratamento.

Quem fez preenchimento em outro lugar pode ser avaliado na CBV?

Pode. A avaliação considera o histórico do procedimento e o exame da região e, quando necessário, inclui o ultrassom dermatológico para identificar o material e orientar a conduta.

Agende sua avaliação na CBV Clínica

Na CBV Clínica, contamos com uma equipe experiente e tecnologias que auxiliam na avaliação e no tratamento de complicações com preenchimento de ácido hialurônico.

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Sobre o
Autor

Dra. Luciana

Albernaz

Transformando imagens

em diagnósticos precisos

CRM-MG 68080 / RQE 69111

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